A Teoria Integral é uma Filosofia de natureza interdisciplinar que reúne um leque de abordagens e métodos complementares, tanto do ocidente como do oriente, tecidas à luz de uma Teoria própria cuja lógica e eficiência está ganhando cada vez mais reconhecimento e projeção em escala mundial. Seu propósito é lançar recursos que possam favorecer o desenvolvimento do Ser Humano em toda sua complexidade, despertá-lo para uma consciência e prática de vida Integral, ou seja, com capacidade de reconhecer e honrar os diferentes níveis e princípios formativos da sua própria natureza e do Todo no qual está inserido e faz parte. Para tanto, emprega recursos teóricos, contemplativos e práticos que contemplam as diferentes necessidades da complexidade do Ser humano, fornecendo ferramentas para que ele descubra as muitas possibilidades de poder estar na vida como um elemento criativo, harmônico, saudável e expansivo.
A Teoria Integral aspira que o homem se torne uma célula consciente e plena das suas funções dentro do organismo planetário. Ela é absolutamente consensual com as grandes tradições, mas possui uma visão atualizada que se traduz numa práxis condizente com as demandas do agora. Reúne a tradição com a inovação, uma síntese de práticas e teorias pré modernas, modernas e pós modernas. Acima de tudo é um mapa que nos localiza
A Teoria Integral reconhece que o Homem é um Ser dinâmico e com recursos que ainda dormitam no plano das potencialidades. Enquanto unidade de consciência em evolução ele é constituído por vários níveis e estados de consciência. No interior desses níveis habita o Eu Essencial, também denominado de EU Superior, Self, Christos, Gnose ou Atman, dependendo da corrente ou linha de pensamento. Esse Eu Interno percebe e experimenta a vida a partir das causas e não dos efeitos, sendo investido de uma perspectiva integral, unitária e solidária com as partes. Essa Supra consciência observa e discerne a partir de um espectro muito vasto de fenômenos, forças e energias, algo como um Everest de pura Consciência, que do alto da sua própria altitude enxerga um todo de vastíssima amplitude e coerência. A sua altitude engendra uma atitude Integral.
Sendo a perspectiva do Eu Superior panorâmica, ou seja, não enxerga nada como separado, ainda que a individualidade de cada componente do conjunto seja reconhecida, é lógico supor que trazê-la para baixo seja o melhor remédio. Mas vamos com calma. Primeiramente precisamos entender que o Todo é formado por partes, sendo que cada parte não deixa de encerrar, em si mesma, um todo (órgãos são feitos de células, que são feitas de moléculas, que são feitas de átomos, que são feitos de partículas subatômicas). Dessa percepção surgiu a teoria do Hólon: O Todo é uma parte e uma parte é um todo, claro que obedecendo a uma holarquia de complexidade e valores. Para quem estuda certas tradições orientais e herméticas isso pode não parecer novidade, mas no contexto da Teoria Integral e de outras Teorias de natureza sistêmica concebidas no ocidente com respaldo científico e acadêmico, o significado prático disso é muito valioso, pois até então, a abordagem ocidental era linear, determinista e generalista, não aceitava alternativas nem diferenças e não respeitava a singularidade de sistemas individuais, autônomos. A hecatombe ecológica eminente é resultado da visão linear e predatória que não vê a relação entre as partes como elemento fundamental para a higidez do Todo.
A Saúde, uma vez abordada pela Teoria Integral não é vista somente como corpo saudável ou ausência de doenças, pois como vimos até agora, o Homem é mais do que aparenta ser. Ele possui emoções, gera pensamentos, tem anseios subjetivos e como hólon consciente afeta o seu meio ambiente numa relação recursiva, na qual ele também é afetado pelo meio. Primeiramente ele é influenciado pelo meio natural, e isso resulta na estimulação das suas faculdades criativas básicas. A sua resposta ao meio se dará na forma de um novo ambiente por ele interpretado e criado no qual leis, culturas e estruturas funcionais próprias entraram em atividade. A sua resposta ao meio obedece ao seu nível de consciência de modo que ele pode se colocar contra as estruturas naturais, ou então, em uníssono com elas. Vejamos as grandes cidades do mundo: verdadeiros cancros, tumores agigantados que em suas metástases devoram tudo o que encontram. Será possível pensar em saúde sem levar essas condições em conta? Como nos restaurar e nos reconectar com o meio natural de forma solidária e co-criadora com o mesmo, respeitando nossa condição de hólon auto criador, mas com Amor e ética? Portanto, a saúde tem a ver com a coerência de todas essas questões, com uma interdependência de causas e efeitos muito além do imediatismo da nossa cultura abreviada de soluções e fórmulas fast food.
A manifestação do Self Superior cujo nível de consciência é naturalmente saudável por estar acima do dualismo, das interferências ambientais e das limitações comuns à personalidade é fundamental. O objetivo é dar passagem para que esse estado Superior encontre resposta em nossas estruturas básicas, do corpo à psique (mente e emoção), pois somente assim poderemos lidar com as questões que realmente afetam o que chamamos de saúde, seja no plano do holon individual, seja no plano do holon coletivo e planetário.
Temos uma dimensão subjetiva que vai do nosso nível mais profundo e essencial ao nível das emoções e padrões mentais mais limitantes. Na visão integral não pode haver cura possível sem conhecer, cuidar e explorar esse domínio ainda secundário e distante das metodologias convencionais. Nossa dimensão subjetiva determina e afeta o corpo sobremaneira, e isso a medicina psicossomática vem corroborando há décadas. Mas o corpo também retroage sobre o subjetivo, pois afinal, estamos falando de um Ser Integral, complexo. Para atender todas as demandas desse complexo físico-denso-sutil, foi desenvolvida a Prática da Vida Integral, uma prática perfeitamente equacionada que alimenta sem defasagens as diferentes faces constitutivas da nossa anatomia integral.
Para entender melhor a Prática da Vida Integral precisamos compreender que somos constituídos por quatro dimensões básicas: corpo, coração (emocional-sombra), mente e espírito (Dimensão Contemplativa). No decorrer de anos de observação e práticas foram desenvolvidos métodos coerentes e de grande eficácia para cada uma dessas dimensões, todas perfeitamente adaptadas ao contexto do homem atual. Por exemplo, dentro do módulo-dimensão Corpo temos exercícios fundamentados no Yoga, no Tai Chi, em técnicas Taoístas e nas Artes Marciais puras. Como todas essas práticas milenares possuem fundamentos no Ser complexo e lidam com a relação matéria x energia, uma vez adaptadas para as demandas da humanidade atual, se tornam sobremaneira mais eficazes.
Todas as posturas, alongamentos e exercícios respiratórios desenvolvidos pela PVI são fundamentais para que as outras dimensões sejam trabalhadas com eficiência, já que o nosso corpo está assoberbado de tensões, toxidades e rigidez, padecendo de vitalidade para alimentar seus sistemas mais sutis e mesmo suportar a intensidade de níveis mais elevados. Precisamos levar em conta que os níveis mais elevados existem através do corpo, de modo que partir para uma prática que exija concentração e atenção não teremos leveza, conforto e energia suficientes, pois o corpo se tornará um obstáculo. O veículo físico não pode impedir a canalização de forças sutis e muito menos de consciência interior, mas antes, ser o próprio canal. É comum pessoas tentarem meditar com o corpo enrijecido e com dores na coluna, sem relaxamento e sem consciência corporal alguma, e por isso se frustram no esforço de meditar.
Na dimensão sombra é dada atenção aos aspectos emocionais e sentimentais subconscientes que permeiam o pano de fundo da maioria das nossas escolhas e ações conscientes. Nas práticas de sombra o imperativo é limpar e redimir tudo o que for identificado como oposto ao Amor, sendo por isso mesmo, uma prática imprescindível. É objeto da prática de sombra limpar e ampliar os dutos/canais emocionais para que sejam vascularizados pelo poder suave, expansivo e criativo do Amor. Muitos recursos podem ser empregados para acessar esse domínio, como a Arteterapia e o exercício analítico das Três Pessoas (3-2-1), uma ferramenta da Psicologia Integral de grande eficiência. Dinâmicas em grupo são excelentes na prática do módulo sombra, pois o acolhimento e o compartilhar são virtudes sensíveis ao coração.
No módulo Mente a proposta é re-significar nossa consciência mediante o aperfeiçoamento das nossas capacidades cognitivas e metacognitivas, ou seja, de integrar o pensamento concreto e objetivo junto com o pensamento abstrato e sistêmico. No módulo Mente re-aprendemos a pensar, recolhendo informações de fontes mais interiores e lidando com os conceitos que regulam nossas opiniões, conceitos e pré-conceitos. É imperativo que o pensamento deixe de ser subproduto da memória e de pulsões primárias para dar passagem à arte de pensar, que é uma ato de vontade pura, pois não é imitativo, mas antes, co-criativo com a Presença de Vida-Consciência Pura que está em nós e na qual também estamos inseridos enquanto partes de um Todo maior. Nessa fase, já adentramos no módulo contemplativo, que vai buscar nas milenares tradições espirituais do oriente e do ocidente os ensinamentos e práticas meditativas que podem nos conectar aos estados inalteráveis de paz e beatitude do Self Superior.
Cada prática se interliga e contém também as demais, porém, existe uma ordem, uma sequência que deve ser seguida para que os melhores resultados sejam obtidos. Por exemplo, podemos recorrer a diferentes formas de Meditação para anteceder qualquer uma prática, até porque cada prática em si deve se transformar num ato meditativo de inteireza e inofensividade.
Uma vez que o indivíduo se veja como uma unidade auto consciente e simultaneamente inter consciente com as demais ele entra na esfera do Amor, onde a energia não é usada e consumida apenas em prol de si mesmo, mas antes, é compartilhada com a “rede” de vida-consciência na qual ele existe. Ele sabe que é um canal por onde a energia maior escoa em harmonia, gerando valor e beleza nos seus atos como um todo. Ele é um SER SAUDÁVEL, íntegro e INTEGRAL.